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plástico na indústria farmacêutica

Entrevista com Glaucio Sancho, Gerente Comercial Sudeste e Centro-Oeste da Piramidal: Projeções econômicas da pandemia.

“Ainda é muito difícil precisar como e em qual ritmo evoluirá o processo de normalização da atividade econômica” – destaca o gerente comercial da Piramidal no Sudeste e no Centro-Oeste. “Setores que registraram bom desempenho já no início da pandemia – casos das indústrias de alimentos e de produtos de higiene e limpeza -, devem manter suas atividades em ritmo praticamente normal. Nos demais, é ainda quase impossível prever uma retomada mais consistente” – ressalta o especialista.

Mas a indústria do plástico, avalia Sancho na entrevista a seguir, pode sair fortalecida dessa difícil conjuntura. Primeiramente, porque as resinas reafirmaram sua condição de matérias-primas essenciais; depois, porque o plástico está presente em praticamente tudo, é um produto que responde rápido à retomada da economia. Confira a entrevista na íntegra neste artigo.

 

plástico na indústria farmacêutica

Momento atual

“Todos os segmentos da economia foram afetados negativamente pela pandemia e grande parte dos transformadores suspendeu parcial ou totalmente suas atividades. A construção civil e o setor automotivo foram fortemente impactados, pois consomem grandes quantidades de plásticos. Também o turismo, o setor têxtil, eventos e varejo tradicional, reduziram bastante o consumo de plásticos transformados.

Mas tivemos transformadores que, por estarem ligados à produção de itens essenciais ao combate e prevenção do Covid-19, tiveram aumento de produção e elevaram sua demanda, especialmente nos setores alimentício, higiene e limpeza, médico-hospitalar e de descartáveis, que nesse momento desempenham papel importante.

Além disso, algumas fábricas de plásticos, com versatilidade e velocidade, ao perceberem que alguns produtos seriam mais consumidos, rapidamente passaram a produzi-los.”

Perspectivas

O Brasil vinha de uma recessão seguida por três anos de baixo crescimento. Estávamos em ritmo de recuperação quando fomos surpreendidos pela pandemia, que dificulta enormemente uma retomada mais consistente.

No início da pandemia tivemos um aumento significativo no consumo de alimentos e produtos de higiene e limpeza. Os consumidores fizeram estoque de alguns produtos, mas essa curva de consumo já retornou à normalidade.

As empresas sairão muito impactadas da crise. Há dificuldade de acesso a recursos financeiros, queda no capital de giro, congelamento dos investimentos. E as incertezas dificultam a retomada da economia.

Setores que vêm com bom desempenho desde o início devem manter seu ritmo, mas nos demais ainda é quase impossível prever uma volta mais consistente.  Há grande expectativa pelo sucesso da vacina. A única certeza desse momento é que atravessamos uma crise nunca antes vista, o resto é dúvida.”

Perspectivas por setores

Como disse anteriormente, apenas os setores ligados a alimentos, higiene e limpeza e médico-hospitalar, devem manter o ritmo atual da demanda e conseguir sustentar por um bom tempo a atividade produtiva, pois alguns hábitos da população devem mudar mesmo após a pandemia.

Já os bens duráveis devem ter recuperação lenta e imagino que alguns mercados podem demorar anos para voltar ao ritmo pré-pandemia.”

As resinas na retomada

O plástico tem sido protagonista no combate e prevenção ao coronavírus. Várias indústrias de pequeno a grande porte se mobilizaram e contribuíram desde o início, de forma voluntária e solidária, doando máscaras, embalagens, artigos descartáveis, frascos para álcool gel, entre outros produtos feitos com plásticos, para comunidades carentes, hospitais e entidades assistenciais.

As pessoas passaram a enxergar o plástico como um aliado e viram que comparativamente a outros ele é um material limpo e seguro.

Uma lista interminável de artigos produzidos com resinas estão ajudando na atividade econômica e na vida das pessoas. E os plásticos continuarão a oferecer soluções inovadoras, que com certeza contribuirão ainda mais para um futuro melhor.”

O plástico minimizando impactos

“Vários produtos plásticos tem sido indispensáveis no combate e prevenção ao coronavírus, como descartáveis, embalagens, frascos para higiene e limpeza, frascos para álcool gel, luvas, máscaras e aventais hospitalares, que são produzidos com diversos tipos de resinas, como polietilenos (PE), polipropilenos (PP) e PET.

Mesmo sacolas e outros itens descartáveis, que vinham sofrendo sanções e restrições antes da pandemia, agora são necessários no dia a dia. Entretanto, não podemos esquecer que o plástico é um material 100% reciclável e seu descarte consciente é fundamental para a economia circular.  Reciclado, o plástico retorna ao mercado como matéria-prima para as mais diversas aplicações, inclusive para produtos essenciais.”

Dados do mercado

Todos os setores da economia estão presentes no Sudeste e no Centro-Oeste. Em alguns estados destacam-se determinados setores, mas o conjunto da região gera negócios e riqueza relevantes na indústria, no serviço, no agronegócio e no turismo.

O Sudeste, onde a indústria e o serviço são as principais atividades econômicas, responde por mais de 50% do PIB do País. O Centro-Oeste tem cerca de 10% e forte base no agronegócio, mas nos últimos anos a indústria dessa região tem registrado elevados índices de crescimento.

Essas duas regiões contam com parques industriais bastante diversificados, com empresas dos mais diversos portes, desde grandes multinacionais até pequenos empreendedores. No entanto, a grande maioria é composta por pequenas e micro empresas.

No Sudeste temos cerca de 6.000 indústrias de plásticos, que geram mais de 170.000 empregos; no Centro Oeste, aproximadamente 500 fábricas, gerando quase 9.000 empregos.

Há transformadores dos mais diversos setores: indústria automotiva, alimentícia, bebidas, fármaco, médico-hospitalar, higiene e limpeza, utilidades domésticas, brinquedos, construção civil, bens duráveis e não duráveis de forma geral.

Essas indústrias transformam praticamente todos os tipos de matéria-prima plástica, por meio de todos os processos disponíveis. Mas podemos destacar os PE, PP e PET como as resinas mais demandadas, principalmente para processos de injeção e extrusão (extrusão de filmes/sopro/chapas e perfis).”

Potencial do mercado

“O plástico está presente em praticamente tudo e responde rapidamente à retomada da economia. Os setores de higiene e limpeza, médico-hospitalar, descartáveis, têm grande oportunidade de expansão, não apenas nesse momento, mas durante muito tempo e isso vai puxar a demanda por PE, PP e PET.

Muitas indústrias que produziam outros artigos plásticos rapidamente passaram a produzir máscaras de proteção e produtores de filmes adaptaram-se para a fabricação de aventais e luvas hospitalares, indústrias de frascos de cosméticos voltaram-se para a produção de frascos de álcool em gel e embalagens de higiene e limpeza. Isso mostra que o setor tem enorme flexibilidade, capacidade de adaptação e velocidade de resposta.”


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